A Associação Amigos do
Meio Ambiente, em parceria com o Movimento Pró-Cultura, protocolou no dia 28 de
março, junto ao Instituto Estadual de Patrimônio Histórico (IPHAE), o pedido de
tombamento da Ilha Pedras Brancas. A iniciativa reafirma o trabalho desenvolvido
na ilha pelas duas entidades. Através de passeios de barco guiados, AMA e
Pró-Cultura vem realizando na última década a conscientização sobre a
importância de se preservar esse patrimônio ambiental e histórico de nosso
Estado.
O pedido de tombamento acontece num momento emblemático, quando o golpe militar no Brasil completa 50 anos. Utilizada como presídio em diferentes momentos da história, a Ilha abrigou muitos presos políticos no período da Ditadura Militar. A programação da Feira do Livro de Guaíba desse ano destacou essa história. No dia 7 de abril, o ex-guerrilheiro Bona Garcia relembrou os dias de angústia e incerteza passados ali. Da mesma forma, o historiador e professor da UFRGS José Henrique Padrós alertou a plateia, composta sobretudo de jovens alunos da rede pública de ensino, da gravidade dos atos cometidos no local e da forma como a Ilha serviu para ceifar a liberdade de muitas pessoas que lutavam por um país melhor. “Quando saírem daqui, vão até a beira do rio e olhem pra Ilha. É importante que sempre lembremos do que aconteceu lá. Para que isso jamais se repita”, discursou.
Dois outros pedidos de tombamento do local ocorreram após a iniciativa da AMA e dão a dimensão e a importância desse ato: o Governo do Estado, no nome do governador Tarso Genro, e a Comissão da Verdade, órgão federal que busca apurar os crimes e violações aos Direitos Humanos cometidos durante a ditadura.
Além da relevância ambiental e histórica, a Ilha também é utilizada para a realização de cultos religiosos de matriz africana e por fiéis da Igreja Católica.
A partir do protocolo que pede o tombamento da Ilha, a AMA e o Pró-Cultura esperam que seja assegurada a preservação desse patrimônio guaibense, e que as futuras gerações tenham acesso às belezas naturais das pedras, da flora e da fauna local, bem como às histórias terríveis que envolvem todos os presídios que ali funcionaram.
Cronologia
1857 - A Quarta Casa de Pólvora é construída pelo exército imperial.
1930 - A ilha é abandonada pelos militares.
Década de 1950 - Passa a funcionar como laboratório de pesquisa para desenvolvimento de vacina contra a peste suína, que atormentava criadores de porcos no Estado.
1956 - A ilha é transformada em presídio.
1964 - Com a ditadura militar, presos políticos passam a ser enviados à ilha.
1972 - Raul Pont e Carlos Araujo são transferidos para a ilha.
1973 - A prisão é desativada pela primeira vez, após a morte de Eduardo Alves da Silva, um ladrão de automóveis preso irregularmente.
1980 - O sequestro do cardeal dom Vicente Scherer motiva a reativação do presídio pelo governador Amaral de Souza.
Abril de 1981 - Comissão de direitos humanos vistoria o local, após denúncias de maus-tratos a presos.
6 de setembro de 1981 - O estelionatário Jardelino de Barros foge da ilha de caiaque.
25 de fevereiro de 1982 - O veleiro do juiz Monte Lopes é metralhado por guardas que suspeitaram ser uma tentativa de ataque à ilha.
18 de setembro de 1982 - Os traficantes João Carlos Faleiro e Hector Martins Thomaz morrem afogados durante fuga.
1983 - Julio de Castilhos Pitinelli foge boiando no Guaíba em duas panelas.
4 de abril de 1983 - O governador Jair Soares manda fechar a prisão.
8 de abril de 1983 - A administração da ilha é passada da Secretaria de Segurança para a de Turismo.
2006 - O município de Guaíba obtém a autorização para explorar a ilha.
2014 - Guaíba, a partir da AMA e do Pró-Cultura protocolam pedido de tombamento da Ilha no Instituto Estadual de Patrimômino Histórico (IPHAE).
